Policial penal que matou petista se envolveu em duas confusões em 16 meses

O policial penal federal Jorge José da Rocha Guaranho, que matou a tiros o guarda municipal Marcelo Arruda enquanto a vítima comemorava o aniversário de 50 anos com uma festa temática do PT alusiva ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no sábado (9) em Foz do Iguaçu (PR), se envolveu em duas confusões anteriores em um intervalo de apenas 16 meses.

Em junho de 2018, ele precisou ser algemado e detido após insultar policiais militares durante uma abordagem no Rio de Janeiro. Em outubro do ano seguinte, o policial penal se desentendeu com seguranças de uma festa na cidade de Capanema (PR), a 118 km do seu local de trabalho, na penitenciária federal de Catanduvas.

Procurada pelo UOL, a advogada Andreza Dolato Inácio disse que não está mais à frente do caso. A reportagem não localizou os novos defensores de Guaranho.

Segundo boletim de ocorrência registrado em 24 de junho de 2018, ele começou a ofender os policiais militares acionados para uma ocorrência em Guapimirim, região metropolitana da capital fluminense.

"Jorge Guaranho se aproximou dos policiais militares, identificou-se como ex-PM e atual policial federal. Em seguida, passou a ofender o capitão da PM, xingando-o de 'oficial de merda, capitão de merda', e chamou o sargento de 'praça baba-ovo e praça de merda', e mandou que fossem embora do local", diz a ocorrência.

Em seguida, foi algemado e legado para uma delegacia. De acordo com o relato de testemunhas, o policial penal federal estaria alcoolizado. Um processo, aberto pelo crime de desacato, foi arquivado pela Justiça do Paraná.

Guaranho, que trabalhou por dois anos como PM no Rio de Janeiro, deixou a corporação após passar em concurso público para atuar como policial penal federal. Procurada pelo UOL, a PM-RJ (Polícia Militar do Rio de Janeiro) informou que não há registros de conduta violenta no período em que ele esteve na instituição.

Confusão em festa no Paraná

Na madrugada de 27 de outubro de 2019, o policial penal federal se envolveu em um novo desentendimento, desta vez em uma festa em Capanema (PR).

Após a confusão, Guaranho disse aos seguranças do local que era policial. Mas se recusou a mostrar a documentação para se identificar.

Eram 2h40 quando a Polícia Militar foi acionada. Guaranho então minimizou o tumulto, dizendo que tinha sido apenas um mal-entendido. Uma representante da equipe de segurança da festa não quis apresentar denúncia. Com isso, foi feito apenas um registro produzido pelos policiais que foram ao local.

Como foi a ação

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL), Guaranho foi de carro à entrada da festa onde o guarda municipal Marcelo Arruda comemorava o aniversário com uma festa temática sobre o PT. Segundo testemunhas, a esposa dele estava com a filha de 3 meses no banco de trás.

De acordo com a investigação, ele reproduzia uma música em som alto em alusão a Bolsonaro e começou a insultar os integrantes da festa. A ação, flagrada em vídeo, mostra o momento em que Arruda aparenta jogar algo em direção ao veículo.



O bolsonarista então reage, mostrando a arma. O policial penal deixou o local e retornou sozinho depois de cerca de 20 minutos. As imagens mostram o momento em que ele volta ao local e dá dois disparos em direção ao interior da festa.

Um vídeo interno registra Arruda mancando após ter sido atingido na perna. Guaranho então se aproxima, atira na direção da vítima e se afasta. Mas é atingido pelos tiros dados pelo guarda municipal, que reagiu. No chão, o policial penal foi agredido com chutes na cabeça dados por um dos integrantes da festa.

Como estão as investigações

Oito pessoas já foram ouvidas pela Polícia Civil do Paraná. A reconstituição do crime deverá ser feita nos próximos dias. Entre elas, testemunhas e parentes de Guaranho.

O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), sediada na capital Curitiba. Foi criada uma força-tarefa com agentes da especializada "para garantir celeridade na apuração dos fatos", informou a Secretaria da Segurança Pública do Paraná.

A previsão é de que o inquérito seja concluído dentro de uma semana.
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