‘Esses policiais já deveriam estar presos’, diz sobrinho de Genivaldo Santos antes de prestar depoimento em fórum de Sergipe

Testemunhas e familiares de Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, prestam depoimento nesta terça-feira (31), no Fórum Desembargador Luiz Magalhães, em Umbaúba, sobre a abordagem de policiais rodoviários federais, que acabou na morte do homem por asfixia, no último dia 25 de maio, na BR-101, no município.

O sobrinho da vítima, Wallison de Jesus, foi o primeiro a prestar depoimento, que durou cerca de duas horas. Em seguida, devem ser ouvidas a viúva de Genivaldo, Maria Fabiana dos Santos, e a irmã dele, Valdenice de Jesus, além de outras dez pessoas que testemunharam a ação. Segundo a advogada da família, Monaliza Batista, os depoimentos serão incluídos no inquérito, que tem o prazo de 30 dias para ser finalizado.
Seis dias após a morte, Wallison diz que a Justiça está demorando. “Não existe o que está acontecendo não. Esses policiais já deveriam estar presos. Eles cometeram um assassinato. Se fosse uma pessoa comum já tava atrás das grades. Se fosse Genivaldo que tivesse feito com um deles, ele já poderia pagar até com a vida naquele mesmo dia”.

Ele disse ainda, que a família não recebeu nenhum tipo de auxílio por parte da Polícia Rodoviária Federal.

“A gente espera que a Justiça seja feita. Deus vai fazer Justiça”, disse outra irmã de Genivaldo, Damarise de Jesus Santos.

Além das advogadas da família, o procurador do Ministério Público Federal em Sergipe, Rômulo Almeida e delegados da Polícia Federal acompanham as oitivas.

Policiais identificados

Fantástico confirma identidade de policiais rodoviários federais investigados por morte em Sergipe

Kleber Nascimento Freitas, Paulo Rodolpho Lima Nascimento e William de Barros Noia foram identificados como sendo os agentes rodoviários federais envolvidos na ação que provocou a morte de Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, na BR-101, no município de Umbaúba (SE). A informação foi exibida pela reportagem do Fantástico deste domingo (29), que afirmou que eles estão sendo investigados em um processo interno disciplinar. Os citados não foram localizados para falar sobre o assunto.

Um boletim divulgado pela Polícia Rodoviária Federal, na última sexta-feira (26), informou que os agentes fizeram o uso de spray de pimenta e gás lacrimogêneo, após o abordado apresentar resistência. O texto citou ainda que o desfecho da situação teria sido uma fatalidade, desvinculada da ação policial.

Três dias depois da divulgação de parte do boletim, a PRF disse que não compactuava com as medidas adotadas pelos policiais durante a abordagem e citou "indignação" diante do ocorrido.

No sábado (28), o delegado da Polícia Federal responsável pela investigação confirmou que durante a perícia da viatura utilizada pelos policiais foram encontradas substâncias semelhantes a de uma granada de gás lacrimogêneo.
PostarEscrevaum Comentário
Cancel